Eis que me pus a refletir: tudo o
que me orienta indica a mim uma direção. Mas qual? Essa direção de que tenho
que seguir os padrões da sociedade em que estou inserida? Tenho que aprender a
ser alguém, pois diante deste mundo, se eu não for bem sucedida, mais
especificadamente, na vida profissional, a culpa é totalmente minha, as minhas
condições não interferem no meu sucesso, pois eu tenho os mesmos direitos que
todos.
Os
passos são tão simples! Você estuda. Arruma um emprego. Faz um vestibular para
um curso que possa te ascender econômico e socialmente. Não passa na rede
pública. Tenta na particular. Passa, só que tem que ir pra outra cidade. Desiste.
Faz um curso técnico pra ganhar um pouco mais de dinheiro. Compra a mesma
camisa de R$ 10,00, por R$ 208,00 só que com um “deseinho” pra dizer que é de
marca e está com um poder aquisitivo melhor. Encontra um namorado que pense
semelhante a você. Mas é pobre! Larga. Vai pra festas torrar todo o dinheiro
que ganhou vendendo a força de trabalho, bem explorada por sinal, que não
percebe problema nenhum nisso, está tão confortável! AI! É um ciclo rotativo, e
você nunca é alguém! ou é! Porque você acha que subiu de classe, mas a única
coisa que mudou foram seus hábitos, continua um trabalhador. Mas você é alguém
na vida, se você se dedica, se encontrou alguém que paga bem por sua força de
trabalho, não é vagabundo, tem umas aquisições razoáveis, mas ainda é
trabalhador, só que com um pensamento de capitalista. Tenso!!!
Agora
você é alguém! Você não era? Complexo não?
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