Quando criança, me ajoelhei e implorei aos céus para que me
tornasse um anjo protetor. Que reservasse a mim um raio de sol capaz de brilhar
e não queimar. Que guardasse no fundo de uma caixinha um presente que ao
recebê-lo me tornasse um anjo melhor. Pedi sentimentos profundos, que não
sumissem de repente e muita força para zelar de meu protegido. Implorei então
por motivos que me fizessem merecer alguém tão especial. Roguei para que
tivesse a capacidade de perdoar, e não me magoar a toa.
Mas durante o percurso da busca de meu raio de sol, tive que
passar por noites sem luar, e eu não soube lidar com os sentimentos que tanto
desejei. Me enganei e encontrei falsos sóis que me queimaram e me enrijeceram.
Pensei que as conseqüências não seriam tão fatais, mas me tornaram um anjo
arrogante, insensível, imaturo e ciumento. E ao encontrar meu raio de sol,
algumas coisas se modificaram, mas alguns defeitos permaneceram. Então me pus
novamente de joelhos e roguei ao papai que aquele raio de sol me protegesse, me
guiasse e me suportasse, até que eu pudesse sarar de todas as feridas feitas
por falsos sóis, para que assim que eu me curar eu possa zelá-lo, protegê-lo e
admirá-lo para que jamais se apague e termine o amor pelo meu querido raio de
sol.
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